A expansão das indústrias ligadas à energia e aos biocombustíveis aumentou a demanda por biomassa, serviços e trabalhadores qualificados na região Sudeste de Mato Grosso. O tema esteve entre as contribuições apresentadas pelas associações comerciais durante o Fórum Regional promovido pela Federação das Associações Comerciais e Empresariais do Estado de Mato Grosso (Facmat).

Rondonópolis recebe investimentos em novas plantas e na ampliação de unidades em funcionamento. O crescimento da capacidade industrial, no entanto, exige planejamento para garantir matéria-prima, transporte, infraestrutura e profissionais preparados para as atividades envolvidas na produção.

A presidente da associação comercial de Rondonópolis, Denise Freitas, afirmou que a expansão da indústria precisa ser acompanhada por medidas voltadas à manutenção das operações.

“Nossa maior preocupação em Rondonópolis é a produção de biomassa para a indústria. Existem investimentos e ampliações em andamento, e precisamos discutir políticas que garantam matéria-prima e condições para que essas operações sejam mantidas”, declarou.

A qualificação profissional também entrou no debate. A instalação de novos empreendimentos pode ampliar a disputa por trabalhadores, principalmente quando a oferta de cursos não acompanha as funções exigidas pelas indústrias.

Representantes da região defenderam a aproximação entre empresas, instituições de ensino e entidades responsáveis pela formação profissional. O objetivo é mapear as vagas disponíveis, identificar as competências exigidas e oferecer cursos relacionados às necessidades do mercado.

Outra demanda tratou da diversificação econômica nos municípios que dependem do serviço público ou de poucas empresas para a manutenção dos empregos. Incentivos para pequenas indústrias, ampliação da infraestrutura e criação de espaços destinados à instalação de negócios foram apontados como medidas para aumentar a geração de renda.

As compras públicas também foram incluídas nas contribuições. Editais com valores elevados, exigências incompatíveis com a estrutura das empresas locais e contratos que concentram diferentes produtos em um único lote podem impedir a participação de micro e pequenos negócios.

A divisão de contratos em lotes menores e a adequação dos processos à realidade dos fornecedores foram apresentadas como alternativas para ampliar a participação, sem restringir a concorrência. A medida pode manter parte dos recursos públicos em circulação no município e reduzir custos de deslocamento e execução.