Rodovias e ferrovias sem conclusão, falta de moradia para trabalhadores, dificuldade de contratação, custos tributários, acesso ao crédito e concorrência das plataformas digitais estiveram entre os assuntos discutidos durante o Fórum Regional 2026, evento promovido pela Federação das Associações Comerciais e Empresariais do Estado de Mato Grosso (Facmat).
Realizada de forma on-line nos dias 22, 23 e 24 de julho, a programação reuniu presidentes, vice-presidentes, diretores e executivos das associações comerciais das regiões Sudeste, Centro-Sul, Vale do Araguaia, Sudoeste e Norte de Mato Grosso. Os participantes apresentaram problemas enfrentados pelas empresas, demandas de infraestrutura e propostas para o desenvolvimento econômico dos municípios.
Cada encontro foi organizado para ouvir as lideranças que acompanham a rotina do setor produtivo nos municípios. As discussões abordaram logística, segurança pública, qualificação profissional, energia, conectividade, crédito, tributação, desburocratização, compras públicas, industrialização e transformação digital.
O presidente da Facmat, Jonas Alves, explicou que o Fórum Regional permite identificar problemas comuns e demandas relacionadas à realidade de cada parte do estado.
“Mais do que um ciclo de reuniões, o Fórum Regional representa um processo de escuta e participação das lideranças empresariais de Mato Grosso. As associações estão nos municípios, conhecem as dificuldades enfrentadas pelas empresas e podem contribuir para a construção de uma agenda estadual”, afirmou.
As manifestações serão sistematizadas pela Federação e integrarão a Carta de Intenções do Empresariado Mato-Grossense 2026. Antes da conclusão do documento, o conteúdo será encaminhado às associações comerciais para conferência, inclusão de propostas e definição de prioridades.
Cenário econômico e transformação digital
A programação contou com a participação do empresário e consultor de varejo Altevir Magalhães, que apresentou uma análise sobre o ambiente de negócios e os desafios previstos para o segundo semestre de 2026 e para o ano seguinte.
Juros, custos operacionais, queda do poder de compra, dificuldade para contratar trabalhadores, baixa qualificação profissional e avanço do comércio eletrônico apareceram entre os fatores que afetam as empresas. A apresentação também tratou da necessidade de revisar processos, investir em pessoas e incorporar ferramentas tecnológicas às operações.
A concorrência deixou de se limitar às empresas instaladas na mesma cidade. Plataformas nacionais e internacionais conseguem vender produtos para consumidores de municípios do interior, muitas vezes com preços, prazos e condições de pagamento que os estabelecimentos locais não conseguem acompanhar.
O debate apontou a transformação digital como uma medida necessária para o comércio. Marketplaces locais, canais de venda pela internet, melhoria da logística, atendimento, relacionamento com os clientes e integração entre lojas físicas e meios digitais foram citados como caminhos para ampliar a competitividade.
As lideranças também destacaram que a adaptação das empresas precisa ser acompanhada por ações relacionadas à tributação, ao crédito, à infraestrutura e à qualificação profissional. A tecnologia, isoladamente, não resolve problemas provocados por estradas sem manutenção, custos de transporte, falta de trabalhadores ou dificuldade de acesso ao capital.

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