A conclusão e a manutenção de rodovias, a implantação da Ferrogrão, a revisão da carga tributária e a ampliação do crédito para empresas estiveram entre as demandas apresentadas pela região Norte durante o Fórum Regional promovido pela Federação das Associações Comerciais e Empresariais do Estado de Mato Grosso (Facmat).

Realizado de forma on-line em 24 de julho, o encontro reuniu presidentes, diretores e representantes das associações comerciais para discutir problemas que afetam a atividade empresarial e o desenvolvimento dos municípios.

A infraestrutura logística concentrou parte das manifestações. As contribuições incluíram a conclusão, modernização e manutenção da BR-163, o avanço das obras da BR-242, a implantação da Ferrogrão, melhorias na mobilidade urbana e a inclusão da hidrovia Teles Pires–Tapajós nos projetos de transporte da região.

Em Itaúba, representantes defenderam a continuidade dos investimentos na BR-163 e a criação de medidas para fortalecer o comércio local diante do aumento das vendas realizadas pela internet.

Nova Ubiratã apresentou propostas relacionadas à oferta de crédito para micro, pequenas e médias empresas, ao incentivo ao empreendedorismo, à formação profissional, à descentralização dos investimentos públicos e à conclusão da BR-242.

Em Sinop, as prioridades envolveram a duplicação da BR-163, a implantação da Ferrogrão, a execução de obras de mobilidade urbana e a revisão da carga tributária estadual. A função do município como polo de atendimento para o Norte de Mato Grosso e parte do Sul do Pará também foi considerada nas discussões.

Tapurah defendeu a equiparação tributária de Mato Grosso com os estados vizinhos. Diferenças no Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) e em outros tributos interferem nos preços, nas margens das empresas e nas decisões relacionadas à instalação de novos negócios.

A falta de trabalhadores, a oferta de cursos profissionais, os incentivos fiscais, o fortalecimento das empresas locais e a ampliação dos investimentos nos municípios do interior completaram as contribuições.

Hidrovia e compras públicas

Em Apiacás, o presidente da associação comercial, Francisco Pinto dos Santos, solicitou a inclusão da hidrovia Teles Pires–Tapajós na agenda de infraestrutura.

“Podem anotar: é preciso cobrar a hidrovia Teles Pires–Tapajós. É um projeto discutido há mais de 30 anos na região e que ainda não se concretizou”, declarou.

Francisco também relatou que materiais, móveis e outros produtos utilizados pelo poder público são adquiridos de fornecedores de outras cidades. A prática reduz a participação das empresas locais nas compras governamentais e retira do município recursos que poderiam permanecer em circulação no comércio.

A revisão dos editais, a divisão de contratos em lotes menores e a adequação das exigências à estrutura das micro e pequenas empresas foram citadas como alternativas para ampliar a participação dos fornecedores locais, respeitando a legislação e a concorrência.

Comércio digital

A presença das empresas no ambiente digital foi discutida por representantes de Colíder e Sinop. Entre as iniciativas apresentadas está o desenvolvimento de um marketplace voltado aos pequenos municípios, com acompanhamento dos empresários durante o cadastro, a organização dos produtos e o início das vendas.

A proposta busca reunir empresas locais em um canal de vendas pela internet e facilitar o acesso dos consumidores aos produtos disponíveis na própria cidade. Prazo de entrega, atendimento, relacionamento com o cliente e pós-venda foram apontados como fatores que podem diferenciar os negócios locais das plataformas nacionais.

As demandas apresentadas pelo Norte abrangem infraestrutura logística, tributação, crédito, políticas para micro e pequenas empresas, qualificação profissional, comércio eletrônico, compras públicas e descentralização dos investimentos.

Contribuições serão organizadas pela Facmat

Com o encerramento das reuniões, a Facmat iniciou a organização das manifestações por áreas. O trabalho permitirá identificar os problemas que se repetem nas regiões e as propostas relacionadas às características econômicas de cada município.

Infraestrutura e logística apareceram entre os assuntos presentes nos encontros. Mão de obra, qualificação, tributação, crédito, compras públicas e digitalização também foram citados por representantes de diferentes partes do estado.

A versão preliminar da Carta de Intenções do Empresariado Mato-Grossense 2026 será encaminhada aos presidentes das associações comerciais. As entidades poderão revisar o conteúdo, corrigir informações, incluir demandas e estabelecer prioridades antes da conclusão do documento.

A Carta servirá de base para a atuação institucional da Federação e para o diálogo com os órgãos responsáveis por obras, programas, serviços e normas que interferem no ambiente de negócios.

“Cada região tem necessidades próprias, mas também encontramos problemas que se repetem em todo o estado. A função da Facmat é reunir essas contribuições, organizar as prioridades e dar continuidade aos encaminhamentos apresentados pelas associações”, concluiu o presidente da Federação, Jonas Alves.