Setembro é o mês dedicado à prevenção do suicídio e à promoção da saúde mental. No ambiente corporativo, esse tema ganha cada vez mais importância, principalmente diante das mudanças que vêm ocorrendo na legislação brasileira. A partir do próximo ano, as empresas serão obrigadas a incluir ações voltadas à saúde mental em seus Programas de Gerenciamento de Riscos (PGR), conforme a atualização da Norma Regulamentadora nº 1 (NR 1).

Com essa mudança, o cuidado com o bem-estar emocional dos colaboradores deixa de ser uma escolha e passa a ser uma responsabilidade legal e estratégica. Pensando nisso, a Associação Comercial e Empresarial de Cuiabá (ACCuiabá), em parceria com a psicóloga e associada Bianca Boscoli, traz orientações para empresários, líderes e equipes sobre como tratar o tema de forma estruturada, indo além de campanhas pontuais.

Bianca explica que o Setembro Amarelo pode ser o ponto de partida para que as empresas iniciem essa transformação. “Promover uma oficina de conscientização neste mês é uma boa maneira de começar. Porém, mais do que cumprir um calendário, o fundamental é integrar o cuidado com a saúde mental à rotina e à cultura organizacional, para que ele faça parte do dia a dia da empresa”, destacou.

A psicóloga lembra que lidar com transtornos emocionais no ambiente de trabalho não é simples, pois cada pessoa reage de uma forma. “Ao contrário de doenças físicas, os transtornos mentais não apresentam sintomas previsíveis. Um colaborador pode estar bem em um dia e, no seguinte, não conseguir desempenhar suas atividades. Essa imprevisibilidade exige atenção e preparo por parte da liderança”, explicou Bianca.
Segundo ela, essa necessidade se torna ainda mais evidente em situações extremas, como tentativas de suicídio ou perdas que afetam diretamente equipes de trabalho. Bianca alerta que as empresas precisam estar prontas para agir de forma estruturada e responsável. “Quando existe um programa bem planejado, a organização consegue oferecer apoio e respostas adequadas, sem improvisos, tratando o sofrimento emocional com seriedade”.

Para ilustrar, a psicóloga usa uma analogia simples. “Imagine uma aranha no banheiro. Algumas pessoas gritam, outras enfrentam, outras pedem ajuda. A mesma situação gera reações diferentes. Com a saúde mental é igual. Não existem respostas únicas, mas podemos identificar fatores de risco, criar estratégias de prevenção e oferecer caminhos de cuidado”, exemplificou.

Bianca também reforça que, assim como qualquer outro processo dentro da empresa, a promoção da saúde emocional precisa de especialistas. “Da mesma forma que uma construção precisa de engenheiros e arquitetos, o cuidado com a saúde mental deve contar com profissionais capacitados. É preciso preparo técnico e sensibilidade para lidar com questões tão complexas”, disse.

Investir na saúde mental, complementa ela, é uma estratégia para fortalecer as equipes e melhorar os resultados. “Esse investimento reduz afastamentos, preserva talentos e cria um ambiente mais saudável e produtivo. Além disso, líderes e gestores também precisam de suporte, pois muitas vezes enfrentam sobrecarga emocional e não conseguem se desligar do trabalho nem mesmo durante as férias”.
A ACCuiabá reforça que o Setembro Amarelo deve ir além de uma ação isolada ou de uma data no calendário. O objetivo é transformar a forma como empresas lidam com a saúde mental, promovendo ambientes de trabalho mais humanos, empáticos e sustentáveis. “É hora de romper o silêncio, criar redes de apoio e tornar o cuidado emocional uma prioridade diária, para que todos se sintam valorizados e seguros”, conclui Bianca.