Emprego além das fronteiras
Nesta semana estou participandoem Genebra – Suiça, da 103ª Conferência da OIT- Organização Internacional doTrabalho, representando a delegação brasileira através da Confederação Nacionaldo Comércio de Bens, Serviços e Turismo- CNC. Trata-se do maior fórum detrabalhadores, empregadores e representantes de governos, que reúne 185 naçõesmembros da OIT. O evento é de fundamental importância para discussões quepromovem relações mais dignas no mundo do trabalho. Um dos assuntos em foco, daedição 2014, refere-se à exploração da mão de obra de imigrantes.
Estima-se que há 232 milhões detrabalhadores imigrantes em todo o mundo, que estão atravessando as fronteirasem busca de emprego, e nem sempre se deparam, no país escolhido, com políticasque atendem as suas expectativas. Isso representa 3,1 por cento da populaçãoglobal. O que se vê na mídia nos dias de hoje, é que os imigrantes, até denível superior, submetem-se a condições de trabalhadores vulneráveis. Nestesentido, temos exemplos de profissionais cubanos, participantes do ProgramaMais Médicos, que volta e meia estão na imprensa denunciando condições análogasa escravidão. Denúncia que inclusive chegou a Câmara dos Deputados; e dehaitianos, da classe média do Haiti, profissionais qualificados, como professores,arquitetos, enfermeiros, entre outros,que vierasm ao Brasil em busca deoportundiades em virtude de empregos temporários oferecidos na Copa do Mundo,principalmente na área da construção civil.
O caso mais denunciado deexploração no Brasil, entretanto, são referentes aos imigrantes bolivianos, quejá foram assuntos de reportagens de várias emissoras de TV, em nível nacional,devido a exploração pela indústria de confecções, numa das maiores cidades domundo, São Paulo. Para se ter uma ideia há uma estimativa de que mais de 300mil bolivianos, vivem na capital paulista, sujeitos a condições de trabalhoanálogas à de escravo. Nas mesmas condições estão 70 mil paraguaios e 45 milperuanos. Realmenteno há muitas informações quuer mostram que a escala daexploração é crescente e muito lamentável.Não podemos aceitar isso simplesmentecruzando nossos braços.
Uma das mais respeitadaspersonalidades da atualidade, o PapaFrancisco em sua mensagem para a Conferência da OIT disse que o grande númerode homens e mulheres forçados a procurar trabalho longe de sua terra natal é ummotivo de preocupação. Segundo o diretor geral da OIT, Guy Ryder, o trabalhoforçado é um grande negócio, e estimativas recentes da organização, mostram oquanto é lucrativa, poi somente os EUAobtém U$ 150 bilhões por ano em lucros .
O processo de imigração foisempre complexo, mas tem atingido na atualidade problemas de várias ordens,necessitando realmente de uma política mais eficaz de cooperação internacional.Sou filho de um imigrante, que veio da cidade de Saydanaya – Comarca de Damasco, República Árabe da Syria, Jamil Boutros Nadaf, um grandetrabalhador e homem de negócios. Certamente na época que meu pai chegou noBrasil, no final da década de 40, havia exploração da mão de obra deestrangeiros no país. Penso que sempre existiram riscos na ultrapassagem defronteira da terra natal, e estes nem sempre são calculados na hora da viagem.
Pedro Nadaf, é secretário chefeda Casa Civil e Presidente da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismodo Estado de Mato Grosso-Fecomércio/Sesc e Senac
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