
A Federação das Associações Comerciais e Empresariais do Estado de Mato Grosso (Facmat) respeita a decisão do Senado Federal, mas manifesta preocupação com a aprovação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) nº 221/2019, que põe fim à escala de trabalho 6×1, sem um debate técnico suficientemente aprofundado sobre seus impactos na economia, especialmente nas micro e pequenas empresas.
A entidade reconhece a legitimidade da discussão sobre a melhoria das condições de trabalho e da qualidade de vida dos trabalhadores. No entanto, considera que uma mudança estrutural dessa dimensão exige responsabilidade, diálogo com o setor produtivo e avaliação criteriosa de seus reflexos sobre os custos operacionais, a competitividade das empresas e a manutenção dos empregos.
Em Mato Grosso, essa preocupação ganha relevância diante das características da economia regional, marcada pela força do empreendedorismo, pela interiorização das atividades econômicas e pela integração entre comércio, serviços, construção civil, logística e cadeias produtivas ligadas ao agronegócio. Muitos desses segmentos dependem de escalas flexíveis, funcionamento contínuo e capacidade de adaptação às demandas do mercado.
Nesse contexto, a adoção de uma mudança ampla e uniforme, sem considerar as particularidades de cada atividade, pode impor dificuldades adicionais às micro e pequenas empresas, sobretudo aos negócios localizados no interior do estado e aos setores que operam com margens mais estreitas.
A Facmat também considera preocupante que uma decisão de tamanha relevância tenha avançado em pleno período eleitoral, sem a participação e o aprofundamento técnico necessários. As relações de trabalho não devem ser tratadas sob a influência de interesses eleitorais, mas a partir de um diálogo responsável entre trabalhadores, empregadores e poder público.
A entidade defende que o Brasil e Mato Grosso precisam avançar em produtividade, qualificação profissional e fortalecimento do ambiente de negócios para assegurar que conquistas sociais sejam acompanhadas de condições reais para sua sustentabilidade.
A valorização do trabalhador e o fortalecimento de quem empreende devem caminhar juntos. Por isso, a Facmat reafirma a necessidade de medidas que considerem as diferentes realidades econômicas do país, preservem a competitividade das empresas e garantam condições para a manutenção e a geração de empregos e renda.
Nenhum comentário