Prévia da inflação acelera alta para 0,89% em janeiro e estoura teto da meta em 12 meses

Depois de fechar 2014 quase no teto da meta do governo, a inflação iniciou o ano em alta, de acordo com a prévia do índice oficial, divulgada pelo IBGE nesta sexta-feira. Em janeiro, o Índice de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15)subiu para 0,89%, após ter ficado em 0,79% em dezembro. No acumulado em 12 meses, o indicador está em 6,69%, acima do teto da meta. Em dezembro, havia ficado em 6,46%.

No ano passado, a alta de preços ficou em 6,41%, acima do centro da meta do governo, de 4,5%, mas abaixo do limite de tolerância, que é de 6,5%. A taxa ficou bem acima da registrada em 2013, quando o IPCA encerrou em 5,91%. Os principais vilões para a forte alta de preços foram os alimentos, que subiram 8,03%, e as tarifas de energia, que avançaram 15,66%, por causa da crise.

Neste início de ano, a inflação das carnes, um dos produtos que mais subiu no ano passado, continuou a pressionar. Entre 13 de dezembro e 13 de janeiro, período de coleta para o IPCA-15, o item registrou alta de 3,24%, com impacto de 0,09 ponto percentual sobre o indicador. Ou seja, não fosse a alta de preços na categoria, o índice teria ficado em 0,80%, praticamente estável em relação a dezembro.

Ainda no grupo dos alimentos, também pesaram no bolso do consumidor a batata-inglesa,com alta de 32,86% e o feijão carioca, que subiu 24,25%. Com isso, a inflaçãodos alimentos teve variação de 1,45%, responsável por 40% do IPCA-15 do mês,equivalente a 0,36 ponto percentual do resultado.

MESMO COM APERTO NOS JUROS, INFLAÇÃO DEVE SUBIR

Para conter a inflação, o Banco Central elevou a taxa básica de juros, a Selic, pela terceira vez seguida, a 12,25% ao ano. A decisão foi divulgada na quarta-feira pelo Comitê de Política Monetária (Copom), que justificou a nova alta destacando “as perspectivas para a inflação”. Com a elevação, a Selic alcançou o maior patamar desde agosto de 2011.

Apesar do aperto nos juros, o controle de preços no país está ameaçado por outros fatores em 2015. A perspectiva de dólar mais alto pode afetar preços de produtos importados. O ajuste fiscal conduzido pela nova equipe econômica, que tem como prioridade equilibrar as contas públicas, também deve influenciar a inflação.Só a alta no preço de combustíveis causada pelo aumento da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide), que incide sobre os deve pesar até 0,3 ponto no índice fechado do ano.

A expectativa de analistas de mercado é que o IPCA chegue ao fim do ano em 6,67%,segundo o mais recente boletim Focus, divulgado pelo Banco Central na segunda-feira, antes da divulgação do pacote do governo que elevou uma série de tributos.

FONTE:OGLOBO.COM